De vestimenta a outros detalhes de etiqueta: o que considerar na recepção de um visitante de cultura distinta?
Por Adriana Carvalho

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Em se tratando de vestimenta para o trabalho, a gama de oferta, modelos, estampas é ampla em nosso país e as lojas estão aí, com as melhores profissionais neste ramo para montar figurinos inspiradores para nós. Mas, podemos mesmo vestir qualquer roupa que em nosso país é considerada “elegante” para nos encontrarmos ou recebermos alguém de outro país? Depende!

Nem sempre o que é elegante em uma cultura o é em outra. Parece fácil falar desta forma, mas até mesmo uma cor mal escolhida pode provocar constrangimento; um decote, que para a cultura ocidental, de forma geral, é bastante normal e aceitável, pode chocar em outras culturas. 

Uma forma bastante interessante de notarmos e aprendermos isso é prestando atenção aos trajes que pessoas públicas usam em viagens diplomáticas, ao representarem seus países. Um belo exemplo a ser observado são as mulheres da família real britânica. Não por acaso, elas procuram usar uma roupa que tenha um detalhe da cultura do país visitado. As cores são minuciosamente escolhidas.  É um sinal de respeito e uma forma de sinalizar que se está aberto à cultura do outro. Não estou falando aqui de trajes folclóricos, mas de vida prática, do cotidiano. Nós também gostamos quando algum estrangeiro nos homenageia, usando algo que tem a ver com nossa cultura, não é mesmo?

Trazendo este exemplo para nosso ambiente de trabalho e para o mundo do secretariado, devemos ficar atentos e nos preparar para receber aqueles visitantes tão importantes para a empresa em que trabalhamos. Pesquisar um pouquinho sobre como se vestem, quais cores são proibidas, quais cores trazem alegria e sorte para aquela nação, por exemplo, pode fazer com que se sintam acolhidos e você certamente causará uma ótima impressão não só pessoal, mas também como no papel de representante da sua empresa.

Para os chineses, por exemplo, que são muito supersticiosos, o vermelho é uma cor de muita sorte na cultura. Ela traz ainda sucesso, felicidade, beleza.  Então, usar uma roupa que combine uma cor neutra com uma peça vermelha vai fazer de você uma excelente anfitriã. Mesmo se você for organizar um jantar de negócios, pedir para o serviço de catering (o nosso buffet) e colocar alguns guardanapos na cor de sorte de seu convidado ou elementos de decoração nesta cor, vai causar uma excelente impressão.

Falando em superstição e fugindo um pouquinho do tema inicial de nosso artigo, para os chineses um ponto muito importante é a relação deles com o número 4, cujo som em mandarim é semelhante ao de “morte”. Assim, eles evitam a qualquer custo esse número. Se for colocar números por alguma razão em qualquer situação, seja em cadeiras em uma mesa, seja em valores, mude isso, arredonde, pule este número.  Em hotel, se a responsável pela reserva for você, certifique-se que eles não sejam hospedados em um 4º. andar ou em um apartamento 444. Na China, os prédios, de forma geral, não têm o 4º. andar. As companhias aéreas chinesas não colocam a fileira de assentos com esse número. Elas pulam da fileira 3 para a 5.  No condomínio em que moro, os blocos são numerados e não há o prédio de número 4. E assim vai. 

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Mundo afora, temos países com diferenças religiosas e de história que divergem muito. Como somos influenciados por países europeus (de onde vem a maior parte de nossa herança cultural) e pelo estilo americano na vida prática, que aprendemos a observar desde bem pequenos, nos esquecemos e nem prestamos atenção ao restante do mundo. Sim, as mulheres usam roupas com herança de trajes típicos em suas vestimentas do dia a dia. Nem sempre a roupa mais elegante será um terno feminino ou um tailleur da marca mais famosa, ocidental, mas um Sári (traje tradicional das mulheres na índia) de seda ou um vestido inspirado nesta peça, se forem indianas. Na China, usam muito o Qipao em ocasiões mais formais. Qipao é um vestido típico feminino, amplamente usado no país, teve origem na época do reinado do povo de etnia Manchu e que ainda hoje influencia a moda feminina por aqui.

Já em Laos, as mulheres também têm vestimentas próprias para estas ocasiões com um toque bem típico, como adornos, desenhos culturais. Em situações de negócios, os tailleurs são os mais usados. Um tipo de xale de seda, encorpado, é colocado sobre os ombros em cerimônias especiais, como casamentos, eventos governamentais e festas.

Não que tenhamos que sair usando roupas da cultura dos outros, mas conhecer e, principalmente, tentar não se vestir de forma que ofenda o outro em algumas ocasiões multiculturais é o mais importante.  

Assim, não devemos estranhar, também, quando recebemos colegas do exterior, expatriados, e que chegam vestidos, digamos, de forma meio diferente. As pessoas precisam de um tempo e nossa compreensão para que se adaptem a um novo ambiente em que são inseridas. Empatia e aceitação por parte de quem os recebe são chaves para uma estadia de sucesso.

Se sentir acolhido em um ambiente que não é o seu é muito importante para as relações, sejam elas de trabalho, pessoais etc. E com pequenos gestos temos muito a contribuir para um ambiente corporativo harmonioso.

Laos – Imagens cedidas por Mimi Chanthanileuth mostram as diversas cenas do cotidiano em que ela participa. Acima, esquerda, no escritório, esquerda, abaixo, em um evento, e à direita em evento oficial, com o xale típico que completa a vestimenta do país nesta ocasião
Visitas oficiais do presidente Chinês e sua esposa à Inglaterra, aos EUA e à França. Observem que as primeiras-damas e a duquesa que recepcionaram o casal usam vermelho. Na foto da direita, abaixo, a primeira-dama chinesa está em traje ocidental
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Adriana Carvalho é formada em Secretariado Executivo Bilíngue e Tradução – Inglês pela PUC Campinas e Pós-graduada em Gestão de Negócios pela FAE Business School em Curitiba. Atuou por 21 anos como Secretária de Diretoria em multinacional da indústria automotiva e conta com experiência em trabalhos no exterior. Hoje mora na China e coordena um grupo de mulheres expatriadas promovendo atividades culturais e de integração na comunidade. Casada, mãe de um rapaz de 17 anos, tem como hobby a fotografia e escreve para o blog “Por Aí, Viagens e Cultura” (www.poraiviagensecultura.blogspot.com) em que relata um pouco da história e cultura dos lugares que já visitou.

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