Você conhece o Fulano, o Beltrano e o Sicrano?
Por Márcia Soboslay

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Você, com certeza, em algum momento, ficou sem saber como lidar com alguém que tenha um nome, digamos diferente, ou até mesmo esdrúxulo, como Chevrolet da Silva Ford, Esparadrapo Clemente de Sá, Marciano Verdinho das Antenas Longas, Padre Filho do Espírito Santo Amém. E acredite, esses nomes existem e foram registrados em alguns cartórios brasileiros.

No entanto, desde 1973, nomes que exponham ao ridículo ou a situações humilhantes passaram a ser proibidos pela Lei Federal dos Registros Públicos.

Mas, voltando ainda mais no tempo, essa história de nomes diferentes, denominados por alguns como apelidos, eram utilizados desde a Roma Antiga. Naquela época já se utilizava “Ciprião, o Africano”, “Catão, o Velho”, “Plínio, o Moço” – justamente como artifício para diferenciar indivíduos com o mesmo nome. Com o tempo, alguns apelidos acabaram se incorporando aos sobrenomes.

E de todos os apelidos que se tem registro, os mais famosos e conhecidos até hoje são “Fulano”, “Beltrano” e “Sicrano”.

Para cada um desses termos existem várias teorias a respeito de suas origens. Fulano vem do árabe “fulân” que significa “tal”. Com o domínio árabe sobre a península Ibérica durante a Idade Média, a língua influenciou os vocabulários espanhol e português. Por volta do século 13, os espanhóis usavam “fulano” como pronome: fulana casa, para dizer “tal casa”, fulano sujeito para dizer “tal sujeito”, mas depois se tornou o substantivo que designa um indivíduo não identificado. No português, “fulano” também virou substantivo, e até derivou para a forma “fuão” em Portugal.

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O caso de “Beltrano” é mais controverso. Há quem diga que vem do nome próprio Beltrão, muito popular na Península Ibérica, ou de Beltrand, de origem francesa, e que se popularizou graças às novelas de cavalaria e donzelas da era medieval. Outros preferem acreditar numa modificação do próprio Beltrão português, com a terminação “ano” entrando apenas para garantir a rima com “fulano” que já era um termo popular e muito conhecido.

A origem de “Sicrano” é mais difícil de precisar. Alguns estudiosos arriscam dizer que a palavra também teria procedência árabe, “sicrán” ou “sacrán” e significaria bêbado. Porém, outros defendem que sicrano teria partido de uma interjeição espanhola similar ao nosso “ei, psiu!”, às vezes usado para chamar alguém.

Não há nenhuma evidência de como as palavras beltrano e sicrano também passaram a ser empregadas para designar indivíduos indeterminados. O que se sabe é que o sufixo “ano” teria sido incorporado a esses termos para criar relação com a palavra fulano e, assim, dar origem à tão popular tríade. E quase que inseparável! Com exceção de fulano, você dificilmente vai ver beltrano e sicrano sendo usados separadamente. 

E como se escreve?

Escrevem-se com maiúscula inicial os vocábulos que nomeiam pessoas de maneira vaga, como Fulano, Sicrano, Beltrano e respectivos femininos: Fulano de tal; Fulana de tal; Fulano disse uma coisa, Fulana outra; Fulano, Sicrano e Beltrano pensam do mesmo modo.

Quando, porém, um destes vocábulos é sinónimo de indivíduo, sujeito, tipo, etc., constituindo um substantivo comum, deve ser escrito com minúscula: esse fulano; aquela fulana; um fulano qualquer.

Fonte: Portal da Língua Portuguesa

http://www.portaldalinguaportuguesa.org/acordo.php?action=acordo&id=8-40&version=1945

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Márcia Soboslay é Secretária Executiva há 38 anos. Tem formação técnica em Secretariado, Graduação em Análise de Sistemas e Pós-Graduada em Docência no Ensino Superior. Palestrante e docente sobre temas ligados à língua portuguesa como Redação Empresarial, Nova Ortografia e Comunicação Assertiva. Participou do COINS – Congresso Internacional de Secretariado em 2019 onde apresentou o trabalho: “A ineficácia no aprendizado da língua portuguesa na educação básica e sua influência na atuação do profissional de secretariado”. Escritora e redatora de artigos diversos, inclusive para revistas especializadas na área secretarial.

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2 Comments

  1. Fábio, agradeço o seu feedback.
    Eu acredito que conhecer a origem das coisas nos traz uma nova e mais interessante maneira de enxergá-las. Além disso, é realmente curioso saber como certas tradições começaram e porque se perpetuaram.
    Que bom que gostou do artigo.


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