São tantas informações novas, eu sou de outra geração
Por Caroline Vargas Barbosa

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Você aprendeu de um jeito. Sua família passou valores diferentes. Você aprendeu como piada ou elogio. “Não existia tudo isso antes”. Calma, as mudanças são rápidas, mas é possível compreendê-las e ser um profissional informado e atento.

Na verdade, as situações em que hoje são debates sociais e trazem mudanças legais, sempre existirão. Mas justamente vivia-se em uma época em que o conhecimento, a produção de conhecimento, a ciência e a transformação disso de forma acessível à sociedade, era diferente. Longe da tecnologia, do compartilhamento de informações e impressões, da proximidade das pessoas embora em distâncias geográficas. Fizemos em tempos antigos, piadas em relação a cor da pele, do gênero ou de alguma deficiência. Reproduzimos na arte, nos contextos sociais, no acesso ao mercado de trabalho, à educação, à saúde, nos espaços públicos e privados.

Evoluímos.

A sociedade tem dialogado e conhecido mais sobre realidades diversas das próprias. A quantidade de informação e de fácil acesso faz com que as pessoas conheçam as outras pessoas e a si de uma forma diferente das que foram criadas ou da forma que aprenderam.

Significa dizer que: nós fomos criados a partir do que a geração anterior tinha alcançado de informação e diálogo, tecnologia, ciência, política… A geração anterior tinha outra base de informações e também recebeu uma criação. A criação e o ambiente em que se vive faz parte de como compreendemos o mundo e o mundo do outro.

Por isso mantemos um padrão, muitas vezes, dicotômico de verdade ou mentira, certo ou errado aceito ou não aceito, normal ou anormal. E dessa forma, percebemos o mundo em dois lados.

Mas é preciso se esforçar em escutar e perceber o outro

Em tempos atuais, muitas discussões foram consolidadas na ciência e referendada pelo Estado em todos os poderes: executivo, legislativo e judiciário. Por isso, cabe a nós, sempre buscarmos a atualização necessária para que não se cometa um mero desconforto ou um crime. Vejamos alguns exemplos: as questões de gênero e tratamentos das mulheres em ambientes laborais e corporativo, é um dos eixos que há constante evoluções – igualdade de salários, assédio sexual etc.

Assim, como as questões de racismo, de racismo ambiental, de sustentabilidade, anticapacitismo e sexualidades e diversidade de gêneros (como, por exemplo, os não-binários) também são constantes na ampliação do debate, avanço de reconhecimento de direitos e por vezes criminalização ou penalização pelo ato que discrimina quaisquer das identidades, dos identitarismos.

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É sobre ter empatia

Uma excelente dica é buscar informações em sítios eletrônicos de qualidade, perguntando a pessoas em suas identidades, escutando os desconfortos e percepções de realidade. Ainda, busque documentários ou filmes que retratem situações desses sujeitos em diferentes aspectos: sociais, familiares e laborais. A arte retrata pontos em exagero para chamar a atenção de quem assiste para a proximidade da grandeza, daquele aspecto, na vida retratada. Busque representações de pessoas nos aspectos que são diferentes à sua realidade. Essas representações podem ser buscando na história, na política, com estudiosos ou da experiência de pessoas reais que compartilham conteúdo de qualidade e responsabilidade, informando suas realidades, em diversas redes sociais.

Lynn Hunt, em “A invenção dos direitos humanos”, diz que o princípio dos direitos humanos repousa na empatia. E uma das formas primárias de exercer a empatia é essa: a busca de representações e informações reais para que se possa de fato, compreender a realidade do outro.

No mercado de trabalho, em consequência da procura de empresas e grandes corporações e conglomerados, buscam-se profissionais que tenham uma base empática e atenta também a demanda de consumo a partir das identidades que determinam condições humanas.

É comprovado que consumidores preferem produtos de empresas que defendem ou ao menos não ofendem pautas identitária e que tenham políticas internas que valorizem seus profissionais, em igualdade e respeito as suas identificações e identidades.

Aprender falas e atos que são considerados racistas, homofóbicos ou transfóbicos, capacitistas, machistas ou sexistas… é um exercício diário. É compreender o outro sem questionar ou minimizar. Isso é calar o outro. Silenciar. Na dúvida, principalmente no ambiente laboral, busque outros termos ou formas de se expressar. Ou silencie-se. É melhor o silêncio do que a ofensa a existência de alguém. Uma vez cometido o erro, aprenda com a lição, não se justifique, seja resiliente para que não seja outra vez cometido e peça desculpas.

Isso é um trabalho intergeracional em que todos estamos em constante aprendizado de realidades, de formas de se expressar, de (se) perceber. O diálogo, que busca respeitar as ideias divergentes e encontrar o eixo comum é o caminho para superar. Reconstruir o que compreendemos um dia como correto/adequado mesmo que ofendesse, discriminasse ou condicionasse, pessoas e grupos sociais à uma subcidadania ou menores oportunidades.

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Caroline Vargas Barbosa é advogada, docente universitária e pesquisadora. Doutorando em Direito pela UnB, Mestra em Direito Agrário pela UFG e especialista em Processo Civil pela UFSC. Atua em pesquisas e assessoramentos de diversidade, inclusão e ESG.

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