O diferencial está em ser plural
Por Caroline Vargas Barbosa

publicado em

Ser um profissional diferenciado no mercado de trabalho requer que se tenha plurais qualidades, entre uma das principais, a qualidade de ser e pensar de forma plural

Como vimos na coluna passada (clique aqui), muitas vezes o que consideramos como opinião, em razão de avanços e debates sociais, jurídicos e políticos, é (finalmente) reconhecido como discriminação, preconceito, ofensa. Ainda que a intenção seja contrária ao reflexo gerado, os danos causados podem ser imensuráveis – para o ofendido, para o agente que praticou e se, envolto de um contexto empresarial ou corporativo, a pessoa jurídica empresarial-.

A sociedade tem se reconhecido como ampla, plural, com subjetividades, com problemas estruturais-históricos, e tem cada vez mais, ponderado o princípio da igualdade. Isso ocorre, quando existem situações que provam o reconhecimento de sujeitos, pessoas e grupos, a contextos em que estava sendo negado de alguma forma, seu acesso a direitos. Como, por exemplo, o uso do nome social da pessoa transgênero. A ponderação ocorre para que se garanta e promova segurança jurídica, social e política além de acesso à direitos fundamentais e a justiça. 

As pessoas, que compõem esses grupos sociais (em um ou mais – por exemplo: uma pessoa preta e com deficiência) que tiveram direitos negados, HOJE têm direitos assegurados em todas as nossas esferas do nosso País. Por isso, um profissional atento ao contexto nacional e que rapidamente compreenda mudanças ou percepções ainda que diferentes das próprias, se diferencia em pontos diversos. Vejamos alguns:

O diferencial da relação em equipe

O profissional que compreende o contexto e o recebe em seu banco de informações, pode transformar em ferramenta que o coloca a frente da construção de diálogo e relações de empatia dentro do ambiente laboral.

A aproximação dos sujeitos, pelo reconhecimento de sua existência, respeitando os direitos e parâmetros de igualdade, faz com que se forme um ambiente de segurança. Tal ambiente é fundamental para o desenvolvimento prático, técnico e criativo da equipe.

Conhecer as subjetividades, as características próprias da existência do outro

No nosso ordenamento jurídico, compreendemos que a igualdade deve ser analisada a partir do conhecimento das subjetividades que compõem as pessoas dentro de determinado grupo.

Assim, precisamos entender as desigualdades e diferenças, para que possamos entregar a igualdade de fato. Em um verbete jurídico, dizemos: tratar os desiguais com suas desigualdades para que se possa ter igualdade.

Vejamos, um exemplo: As pessoas com deficiência, tem diferentes acessibilidades aos espaços públicos, ao ensino formal, à vida social, ao trabalho… E essas diferenças, precisam ser analisadas para que se possa tentar alcançar uma igualdade real.

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Se assim não fosse, imagine como seria para um cadeirante conseguir atravessar uma rua? Podemos determinar que a igualdade era fazê-lo caminhar? Alcançar o botoeira do sinal? Ou saltar da calçada sem rebaixamento? Não. Porque são condições humanas e da existência do ser que os colocaram em diferente à outras pessoas.

Em uma sociedade que inviabiliza silencia ou oprime, reproduzindo uma construção social, histórica, política, econômica e cultural, precisamos revisitar nossos conceitos e padrões de normalidade, correto, aceito, possível. Por isso, existem critérios de ações afirmativas, por exemplo: o critério mínimo de contratação de pessoas com deficiência, ou cotas de maneira geral.

A ideia é tratar de forma diferenciada àqueles que precisam disso para alcançar os mesmos direitos de outras pessoas que não tinham uma condição de existência que foi ignorada, através dos tempos. Assim essas pessoas, esse grupo social, possa cada vez mais ser reconhecido e ter acesso ao mercado de trabalho, garantindo parte da dignidade do sujeito, ofertando autonomia, relações laborais e sociais…

O diferencial do profissional que conhece sua equipe e o ambiente laboral

Um profissional que percebe e reconhece as subjetividades da equipe, é capaz de gerenciar as aptidões, para melhor desenvolvimento pessoal dos funcionários, refletindo no aumento criativo e produtivo, do próprio funcionário e em efeito cascata, na equipe.

Um funcionário pode ter uma deficiência invisível, o caso dos neurodivergentes, por exemplo, pessoas com Transtorno do Espectro Autista ou TDAH. Conhecer e reconhecer a sua condição pode resultar em um maior comprometimento e confiabilidade, e trazer novas perspectivas à sua equipe e em suas tarefas conforme pesquisa da National Institute of Economic and Social Research (NIESR) (2016). E ainda A Revista Harvard Business Review (2018) aponta que muitas pessoas com essas condições têm habilidades superiores à média.

Ser plural é ter empatia. É ser solidário. É ser ouvinte. É ser sensível.

Um profissional que possui essas qualidades tem seu diferencial facilmente percebido no mercado de trabalho. Passa a imagem de boa relação com outros funcionários, de ser um ponto de criatividade e produtividade porque ressignifica conceitos, como de (in) capacidade com (im)produtividade.

Um último exemplo: Um profissional com tais características pode demonstrar um possível amparo em inteligência emocional e informações suficientes para gerenciar conflitos internos e mediar situações trazendo conforto a outros membros da equipe. Resolvendo situações do contexto laboral de forma tranquila e eficiente.

Viu? Ser plural é abrir-se para múltiplas competências.

Camada 1

Caroline Vargas Barbosa é advogada, docente universitária e pesquisadora. Doutorando em Direito pela UnB, Mestra em Direito Agrário pela UFG e especialista em Processo Civil pela UFSC. Atua em pesquisas e assessoramentos de diversidade, inclusão e ESG.

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2 Comments

  1. Adorei o artigo.

  2. Obrigada Fábio! Fico muito feliz! E ficou com alguma dúvida? Caroline Vargas


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