O glamour de estar ocupada o tempo todo
Por Camila Marques

É tarde! É tarde! É tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus! Alô, adeus! É tarde, é tarde, é tarde!”
Coelho de Alice no país das Maravilhas | Lewis Carroll

publicado em

Uma frase que descreve a nossa sociedade e a glamourização de estar sempre ocupado.

Estar ocupado foi e ainda é, infelizmente, um motivo de “orgulho” para muitos. Frases como “agitado”, “turbilhão”, “consumidos”, “loucos”, “difícil dar conta de tudo”, “em fuga”, “muito rápido”, entre outras... Fazem parte do nosso cotidiano é são uma demonstração de status.

Se você estiver ocupado, você é importante. Você está levando uma vida plena e digna. Como se você não pudesse escolher a ocupação. 

As pessoas estão competindo por estarem ocupadas e é comum uma caravana de pessoas super trabalhadoras, estressadas e orgulhosas por nunca descansarem. É um ciclo desesperador e muito comum em nossa sociedade.

Vivi por uns bons anos desta forma até que cheguei ao ponto de simplesmente precisar parar,  não tinha mais nada de “glamour” estar esgotada, não ter força para o que realmente era importante e essencial para mim.  Não tinha glamour em não viver!

Com vinte e poucos anos eu amava fazer hora extra, eu nunca me esquivava de trabalhar nos fins de semana, tinha até orgulho de nunca ter tempo.

Os anos passaram e essa vida começou a não fazer mais sentindo, me sentia meio envergonhada, pois quem saía no horário do trabalho e não realizasse hora extra ou recusasse uma oportunidade era quase mal visto.

Ano de 2019 o meu corpo deu sinais, “claros” de que eu precisava mudar a forma que estava vivendo, estava insustentável, mas eu não dei ouvidos. Na época estava correndo atrás de uma premiação na empresa e não podia deixar essa oportunidade passar.

Bom, 2020 chegou e com ele o meu corpo e mente decidiram me parar a força, veio a depressão, crise de ansiedade super frequente, síndrome do pânico e o meu chão sumiu.  Me vi em um lugar escuro e eu simplesmente não conseguia ter ação, simplesmente paralisei.

Ignorei a mim mesma, por achar o máximo estar sempre ocupada.

Nossa sociedade preza isso, produtividade a mil, produzir 24h por dia, enquanto eles dormem, nos trabalhamos. São tantos estímulos para que tenhamos uma vida exaustiva e que nos adoecem, mas a glamourização  do stress, da vida ocupada, do viciado no trabalho, do que não tem tempo para nada, infelizmente ainda está em alta.

Temos que valorizar o nosso trabalho SIM, mas temos que nos colocar em primeiro lugar.  Podemos  produzir seguindo o nosso próprio ritmo.

Estou aprendendo a me respeitar, a ouvir os sinais do meu corpo, da minha essência. 

Não é um processo fácil, mas é delicioso passar por ele. 

Então convido vocês a encher de glamour outros momentos do seu dia, façam atividades que dão prazer, aquele projeto que faz você sentir como se estivesse sendo abraçada ou recebendo um cafune gostoso.

Lembre-se, você é a sua melhor companhia.

Como é a sua relação com a glamourização da vida ocupada?!

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3 Comments

  1. Que matéria incrível e real nos dias de hoje, onde além de se manter ocupadíssimos fomos obrigados a nos afastar de pessoas e seguir sozinhas e ainda assim com mais tarefas a cumprir. Parabéns Camila pela reflexão.

  2. Penso que no início da carreira, a grande maioria das pessoas sente algum glamour em trabalhar horas extras. À medida que amadurecemos, quer pessoal como profissionalmente, percebemos que é possível fazer tudo sem stress, até sentir o prazer de ter um livro para ler e não fazer! O segredo está em fazê-lo sem expectativas de reconhecimento, em fazê-lo pelo prazer de fazer. Se quisermos ser honestos com nós próprios, percebemos que tudo, ou quase tudo, o que fazemos, tem por base uma necessidade de afirmação, uma necessidade de reconhecimento. Quando deixarmos de sentir essa necessidade, tudo flui naturalmente. Continuaremos a estar ocupados, por vezes fazemos horas extras, outras vezes optamos por improvisar e outras por nada fazer, mas tudo é feito e tudo, ou a maioria, é motivo de satisfação pessoal, de bem estar.

  3. Ótimo conteúdo.


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