Sim, o mundo fala sobre assédio sexual contra Secretárias
Por Adriana Carvalho

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Já é de longa data o histórico de assédio sexual em relação a mulheres no ambiente de trabalho e, em especial, às Secretárias. Já no início do século 20 a mulher passou a procurar seu lugar no mercado de trabalho, migrando de suas tarefas como donas de casa para os escritórios de empresas com ambiente totalmente masculinos. Mulheres com educação acima da média passaram a ser vistas transitando neste mundo dominado pelos homens e passaram a atrair a atenção deles que não estavam acostumados com essa proximidade interessante.

Eram muito comuns, na época, piadas sobre o chefe ou colega de trabalho flertando com a nova “habitante” do local. Muitas mulheres solteiras, que basicamente exerciam papéis como datilógrafas, estenógrafas, telefonistas, encontravam no trabalho seu par romântico. Com isso, uma onda crescente de estereótipos destas profissionais se acentuou. A mídia, vendo aí um nicho para anúncios, passou a produzir propagandas relacionadas a produtos para escritórios com moças bonitas e sexy em suas publicidades. Pronto! Estabeleceu-se o perfil de uma Secretária: jovem, bonita, sexy, educada e disponível. Com isso, muitos homens mais velhos nas cadeiras de importantes executivos passaram a empregar mulheres bonitas para passar aos outros a ideia de que eram poderosos, sexualmente falando, já que todos iriam imaginar que ele teria um caso com aquela funcionária. Estas, não necessariamente eram qualificadas ou tinham educação o suficiente para exercer tais cargos. Passou-se a acrescentar aos atributos de uma Secretária a ideia de que ela era, também, burra.

Nos anos 70, com a grande onda do movimento feminista que tomou espaço no mundo, as mulheres passaram a fazer protestos contra as piadinhas e estereótipos que tomavam conta das profissionais de secretariado. Nas últimas décadas, muitas leis foram criadas para proteger as mulheres, independente da profissão, de tais abusos e vemos que muitos progressos têm sido feitos e que as Secretárias, cada vez mais, se tornam profissionais reconhecidos e respeitados. Ainda, por causa da história, encontramos pessoas que mantém, lá no fundo, uma mentalidade com resquício de preconceito e desrespeito pela Secretária.

Não se pode achar que este tipo de comportamento inoportuno é parte somente da cultura brasileira e tolerar piadas ou algum tipo de comentário impróprio por parte de estrangeiros. Como vimos anteriormente, o estereótipo é global, criado por pessoas e por uma mídia que espalhou essa personagem por diversos territórios, pois na época “era legal, divertido”. Assim, não permitam que te desrespeitem sob a desculpa de que “eu não sabia, pois sou estrangeiro”.

Na Alemanha, por exemplo, a pessoa que cometer um assédio sexual terá que pagar multa em dinheiro ou poderá ser presa por período de 3 meses a 5 anos de detenção, dependendo da sentença. Também o empregador será corresponsável. Brincadeiras de cunho sexual são proibidos para evitar problemas. Já nos Estados Unidos, as leis antiassédio incluem cursos para prevenção de assédio e multas pesadas para empregadores que não coibirem essas práticas em seus locais de trabalho e que não obrigarem os funcionários a completarem o curso. As leis variam um pouco de estado para estado, mas em geral são parecidas. Uma lista do que não fazer e do que não tolerar é explicada e praticada nestes cursos obrigatórios.

Na Suíça, o empregador é diretamente corresponsabilizado e tem obrigação por lei de cuidar do clima organizacional da empresa. A integridade da pessoa assediada é protegida pelo código penal. A pessoa que se sentir assediada deve entrar com um processo contra o assediador e a lei a ser aplicada também para o empregador é bem clara neste quesito.

O grande desafio, agora, é saber diferenciar um flerte de um assédio, pois existe uma linha muito tênue aí, já que as corporações não proíbem relacionamentos amorosos entre seus funcionários.

Enfim, ficar com o radar ligado é o melhor a se fazer. Se perceber algo estranho com relação também à pessoa estrangeira com a qual você está trabalhando, independente de ser seu gestor direto ou um par ou, ainda, colega de trabalho, procure saber quais as leis que regem esse tipo de problema no país de origem e mostre, em uma conversa bem franca, que no seu país também existem leis que te protegem como mulher. Talvez essa seja uma maneira bem-educada, mas explícita de mostrar que você está “antenada” no que está acontecendo e que não está gostando nenhum pouco, sem criar, num primeiro momento, um conflito direto.

Fontes:

Sexuelle Belaestigung (Strafgesetztbuch Paragraf 184i, stgb)

https://www.workingoffice.de/fileadmin/content/downloadcenter/images/Sexuelle_Belaestigung.png

https://www.unia.ch/fileadmin/user_upload/Arbeitswelt-A-Z/Sexuelle-Belaestigung/Sexuelle-Belaestigung-am-Arbeitsplatz-Ratgeber.pdf

https://www.bbc.com/news/magazine-23489444

https://slate.com/culture/2017/12/the-long-cultural-history-of-jokes-about-workplace-sexual-harassment.html

http://www.unia.ch/

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Adriana Carvalho é formada em Secretariado Executivo Bilíngue e Tradução – Inglês pela PUC Campinas e Pós-graduada em Gestão de Negócios pela FAE Business School em Curitiba. Atuou por 21 anos como Secretária de Diretoria em multinacional da indústria automotiva e conta com experiência em trabalhos no exterior. Hoje mora na China e coordena um grupo de mulheres expatriadas promovendo atividades culturais e de integração na comunidade. Casada, mãe de um rapaz de 17 anos, tem como hobby a fotografia e escreve para o blog “Por Aí, Viagens e Cultura” (www.poraiviagensecultura.blogspot.com) em que relata um pouco da história e cultura dos lugares que já visitou.

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