Qual o segredo para ser feliz ao ser expatriado?
Por Adriana Carvalho

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Escrevi este texto pensando nas Secretárias que irão atender os expatriados, além daquelas que serão expatriadas em algum momento. Gostaria de gerar algumas reflexões, as quais, estou certa, irão ajudá-las no momento em que estiverem dando suporte à família de um executivo expatriado e que estas dificuldades de adaptação aparecerem. Espero que, ao ler este artigo, você, leitor (a), se coloque como a primeira pessoa do texto. Boa leitura!

Quando nos mudamos para outro país, não temos a exata noção do que nos aguarda em terras estrangeiras. Nossa vida confortável (no sentido de você saber exatamente como gerenciar sua vida diária, de maneira quase que automática, dentro dos hábitos e costumes do país onde você cresceu e eu diria até ‘acomodada’) é deixada para trás e uma janela de novas oportunidades se abre diante de nós: uma nova profissão, uma nova rotina, novos povos para conviver, novos hábitos e assim vai.

Ouvindo relato de muitas pessoas que já foram expatriadas ou que já imigraram, você percebe um mundo inteiro de experiências divergentes, mesmo indo essas pessoas para os mesmos países. Cada qual, baseado em sua experiência de vida e nos valores sob os quais foi criado, vê o novo ambiente de maneira muito diferente.  E, muitas vezes, não basta apenas o local, que pode ser maravilhoso (ou nem tanto), para fazer com que as pessoas se sintam infelizes ao alcançar o objetivo de morar no exterior. Não raro, vemos cônjuges que deixaram suas vidas profissionais e pessoais para trás, de forma a viver esta nova jornada, se queixado da nova realidade. Mas, se você está deixando seu país, como expatriado (não vou entrar no mérito da vida de imigrante, que dever ser mais dura neste quesito), ou seja, com todo o respaldo de uma empresa, por que está tão infeliz, porque reclama de tudo na nova cultura, porque compara o tempo todo com o que há na sua cultura, que para VOCÊ é melhor?

Pela minha experiência de três anos como esposa de executivo expatriado e mais de 20 anos atendendo executivos expatriados (e muitas vezes dando certo suporte para suas famílias), entendo que as pessoas muitas vezes não buscam ser felizes. Reclamar é mais fácil do que tentar descobrir, do que estudar como se sair de certas situações. Julgar é mais rápido do que tentar entender a cabeça ou o porquê de o indivíduo local fazer isso ou aquilo. Se isolar é melhor do que se jogar no meio da nova cultura e do povo.

Então, o que vem com a reclamação diária, com o julgamento fácil e com o isolamento? Coisa boa é que não pode ser…

Dá para perceber que a maioria das pessoas que reclama busca o caminho mais difícil. Se fecham em bolhas em suas comunidades de mesma nacionalidade para gastar seu tempo olhando o outro, julgando a maneira diferente de ser, discriminando por não ser da mesma nacionalidade que a sua…

O que fazer, então, para ser feliz em “terras além-mar”?

Que tal, primeiro, fazer uma lista das coisas que você não podia fazer quando estava no seu país e colocar em prática na nova vida?  Pode ser até “dormir até mais tarde”… tudo vale. E, colocar em prática…

Que tal, passar a descobrir os novos cantos da cidade nova e das proximidades? E um curso legal, que seja de artes, ou do que você gostar de fazer, tudo vale… Passou a ter que cozinhar e descobriu aí um hobby (eu passei, mas tenho que confessar que não é o meu 🙂 )? Tá valendo convidar os amigos para serem cobaias… Tenha certeza que vai render boas risadas e você vai ter boas lembranças depois. Aqui em casa, meu marido virou o cozinheiro oficial do grupo!

Que tal tentar conversar com os locais? sim, eles não vão te morder…. te garanto! aproveite que ninguém te conhece mesmo e use aquele cabelo que nunca teve coragem de usar antes, ou aquela roupa que você não sabia se era adequada para ir ao chique shopping da sua cidade, pois todo mundo ia ficar te olhando. Tem horas que você mesmo vai pensar: é… exagerei…, mas, tente…

Pense nas coisas boas que a nova vida está te proporcionando e foque nisso. Tenha uma rotina de coisas a fazer. Tenho certeza de que você vai se descobrir muito ocupado! E, com isso, a felicidade vem de brinde!

Estou na China já há quase três anos. Embora eu não esteja em uma cidade internacional como Shanghai, Pequim e outras, adoro estar aqui. As diferenças culturais são muito grandes e o idioma é realmente o maior dos desafios. Sou muito feliz e tento ensinar isso para meu filho. Desta forma, meu marido, que é quem está trabalhando, tem o sossego que precisa para desempenhar bem o papel a que se propôs quando aceitou o desafio. Assim, todos saem ganhando!

A vida passa muito rápido, então temos que fazer com que ela valha a pena e não ficar só esperando.

Camada 1

Adriana Carvalho é formada em Secretariado Executivo Bilíngue e Tradução – Inglês pela PUC Campinas e Pós-graduada em Gestão de Negócios pela FAE Business School em Curitiba. Atuou por 21 anos como Secretária de Diretoria em multinacional da indústria automotiva e conta com experiência em trabalhos no exterior. Hoje mora na China e coordena um grupo de mulheres expatriadas promovendo atividades culturais e de integração na comunidade. Casada, mãe de um rapaz de 17 anos, tem como hobby a fotografia e escreve para o blog “Por Aí, Viagens e Cultura” (www.poraiviagensecultura.blogspot.com) em que relata um pouco da história e cultura dos lugares que já visitou.

Camada 1

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9 Comments

  1. Achei muito interessante seu aprendizado sobre novas experiências em outras culturas, isso leva a gente a sair da nossa zona de conforto, gostei do seu texto

    • Obrigada, Izabel! Sair da zona de conforto nos permite crescimento nos diversos setores da nossa vida!
      Um exercício para fazermos sempre!

    • Que bom que gostou Bruno!
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  2. Muito boa leitura!!!! Esclarecedor e otimista!

    • Obrigada, Denize!
      O otimismo permite que nossa jornada se torne mais leve.
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      Temos artigos incríveis aguardando sua leitura!
      Abraços!

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  4. Que bom que gostou Bruno!
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  5. Incrível, poder ter este olhar do atender ao expatriado e sua família e estar no lugar deles! Parabéns!!


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